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domingo, 29 de novembro de 2009

Review: Gunslinger Girl



Leandro Nisishima


Jose e sua "irmã" Henrietta

Vindo diretamente de um mangá desenhado por Aida Yu, Gunslinger Girl conta a história de várias garotas que são usadas para realizar trabalhos sujos em nome da Agência de Bem-estar Social do governo da Itália. Cada uma dessas garotas conta com implantes robóticos em praticamente todo corpo. Anteriormente, cada uma delas se encontrava em estado terminal, e para não deixá-las nessa lamentável condição, a já citada organização colocava esses implantes. Aos olhos de terroristas e criminosos, nenhuma dessas garotas parece armas letais, o que acaba sendo uma grande vantagem para a Agência de Bem-estar Social.

Em resumo, o enredo de Gunslinger Girl seria mais ou menos isso. Porém, o grande triunfo desse anime não está apenas nas eletrizantes cenas de combate, onde vemos garotas lutando e eliminando criminosos sem dó. O maior destaque está nas relações de cada garota e o seu fratello. Esse último seria uma espécie de tutor, que tem como missão treinar e comandar uma dessas ciborgues. Enquanto existem fratellos que são bondosos com as suas "irmãs", há outros que as usam apenas como armas de combate.

Ao longo do anime é possível perceber que não existe uma protagonista definitiva, embora de início Henrietta pareça ser. A série dá grande destaque para cada uma das cinco garotas principais, e ainda uma sexta, que aparecerá mais para o final da série. O interessante de cada arco está na sutileza como as dores e felicidades de cada "casal" são passadas. Não há nenhum tipo de drama exagerado ou excessivamente melodramático. E todas elas possuem as suas próprias dores e frustrações.

Por exemplo, Henrietta é a garota que está mais próxima do seu fratello, tendo uma relação de quase irmãos com Jose. Ela é a que menos recebe o "condicionamento" que seria um recurso usado pela organização para mantê-las obediente e leais aos seus fratellos. Sendo assim, a confiança de Jose e Henrietta vem da forma mais natural possível. O que é totalmente oposto do tratamento dado pelo irmão de Jose, Jean, a sua ciborgue Rico. Jean vê Rico apenas como uma marionete de combate, e diferente de Jose, não costuma dar presentes e nem mimar Rico com algum tipo de conforto.

Usando apenas esses dois exemplos dá para perceber, que cada drama presente em Gunslinger Girl apresenta uma face única. Não precisa analisar muito para perceber o quanto é diferente dos dramas escolares padrões. Até pelo fato de que a história se passa em várias cidades italianas, conferindo um clima único para a obra. Outro ponto a favor é que aqui temos uma clara divisão entre um mundo mais adulto (o dos fratellos) e o mundo infantil e inocente de Henrietta e companhia. Eles não estão necessariamente separados, basta lembrar que por trás de toda inocência de Henrietta estão os interesses da Agência de Bem-estar Social que a usa para os seus propósitos.

Vale dizer que num cenário desses é impossível não deixar de entrar no tema da imoralidade. Imagino que muitos não tenham conseguido assistir Gunslinger Girl, pelo simples fato de que garotas são usadas sem piedade para matar terroristas. Mas isso é um ponto que a própria série coloca em questão, principalmente no que diz respeito aos personagens Jose e Marco. Por uma série de motivos, cada um deles não vê com bons olhos o trabalho a qual foram designados, mas são obrigados a executá-los, e de certa forma não gostariam de vê-lo sendo feito por outras pessoas. O resultado da frustração deles é diferente, basta ver o comportamento de Henrietta e Angelica.

De um modo geral, o resultado desses doze episódios é bem satisfatório, embora ele fique sem um final claro. Na verdade, muitos detalhes deverão ser analisados nas entrelinhas, e fazendo isso é até possível deduzir um final para a série. Existe um ponto muito interessante na composição dos episódios, porém deixarei a cargo de quem assistir, afinal seria um grande spoiler. Posso apenas dizer que foi um detalhe muito bem pensado pelos estúdios Madhouse e colocou um ar único e misterioso na obra como um todo.

Gunslinger Girl possui ainda uma continuação chamada IL Teatrino. A sequência perde um pouco em relação a original e foca em acontecimentos ocorridos durante a primeira temporada. Há mais ação nessa segunda temporada e detalhes sobre a Agência de Bem-estar Social são melhores explicados, mas o anime perde bastante em termos de character design e animações. Essa segunda temporada foi produzida pela Artland, um estúdio pequeno quando comparado a Madhouse. Diria que IL Teatrino merece uma nota dois pontos menores do que a do seu antecessor, que é quase uma obra-prima.


Como sempre dizem: as aparências enganam

Nota: 9,5 - Somente acompanhar a história de cada garota e seu fratello já faz Gunslinger Girl valer a pena. Mas junto disso, temos uma boa ambientação e excelentes cenas de tiroteio.
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