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sábado, 4 de abril de 2009

Review 2: Sayonara Zetsubou Sensei


Sayonara Zetsubou Sensei.

Leandro Nisishima

"O humor ácido nem sempre será fácil de decifrar"


Kafuka presenciando outros dos momentos de "otimismo" do Itoshiki-sensei.

Sayonara Zetsubou Sensei é uma produção de um dos estúdios mais famosos e elogiados atualmente no Japão. Trata-se da SHAFT, responsável por pérolas como ef ~a tale of memories~ e o divertido Hidamari Sketch. O padrão de animação da SHAFT vem revolucionando a maneira de como se deve criar um anime. E toda essa exuberância técnica contribui bastante no que diz respeito ao enredo e personagens.

A vida do professor desesperado Nozomu Itoshiki é a prova viva de que a animação do SHAFT se comporta bem em diversas ocasiões. Parte disso pode ser conferido logo no começo, no momento em que o pessimista professor tenta se suicidar se enforcando com uma corda. A seqüência animada passa a situação de drama na medida certa, com uma movimentação tensa das cerejeiras em volta, mudanças de cenas repentinas e estado emocional do personagem escondido por trás de traços que de variam entre cenários elaborados, e por vezes vazios.

Tudo muda quando a otimista Kafuka aparece e contrapõe o cenário decadente. Para ela, todos os motivos que levam uma pessoa a tomar uma ação são bons. Vendo o professor tentando se enforcar, a garota apenas diz que isso é impossível diante de um maravilhoso dia de sol, regado ao florescimento das cerejeiras. E nesse caso, aliado ao ótimo padrão animado da SHAFT, um ponto elogiável da personagem em questão é o tom de voz vivo e ingênuo passado por ninguém menos do que Ai Nonaka, que em diversas situações dublou personagens desse tipo (vide Mikan, em Gakuen Utopia Manabi Straight!; e Ibuku Fuko, em Clannad). Talvez a única exceção tenha sido a quieta e misteriosa Iriya Kana (veja mais nesse mesma edição).

Mas voltando, a história de Sayonara Zetsubou Sensei não será resumida apenas a oposição entre o pessimismo de Nozomu e o otimismo de Kafuka. A série não caíra no clichê do protagonista decadente que volta a vida depois de encontrar uma linda colegial (embora ache que esse não seja o caso de Kafuka, mas enfim...). Pelo contrário, o desesperado professor se verá ainda mais desesperado diante do otimismo excessivo de Kafuka e de todas as problemáticas novas alunas da sua sala.

Como se não bastasse Kafuka, ele ainda terá contato com diversos tipos problemáticos da sociedade japonesa. Garotas com crises de identidade, stalkers (pessoas que vivem a vida perseguindo os outros) e hikikomoris (pessoas que se isolam da sociedade) são apenas alguns deles. Claro que além dos problemáticos haverá outros estereótipos mais "comuns", como a garota pobre vindo do exterior, a desenhista de doujins, a garota excessivamente séria, além da outra incrivelmente normal.

Toda essa turma junta configura a classe do professor Nozomu, e vez ou outra, alguns personagens mais secundários também aparecerão. Como bem dito, todas as piadas do anime envolvem a sociedade japonesa, e, sobretudo, ironizam diversos aspectos do pensamento popular e por vezes otaku. Assistir Sayonara Zetsubou Sensei sendo um completo ignorante no que se refere à conhecimento sobre o Japão, será uma tortura impressionante. Essa é uma série de público restrito que nunca alcançará o sucesso popular, principalmente fora do seu país de origem.

Tudo bem que o título chegou à ficar conhecido no Japão, mas vale dizer isso aos desavisados. Por outro lado, falta de popularidade não significa nada para nós críticos (acredito que o Carlírio e o Thiago devam concordar). Sayonara Zetsubou Sensei é um dos melhores títulos de comédia produzido nos últimos anos, com um humor que supera o "basicão" e de conteúdo extremamente ácido, tratando diversas situações polêmicas como se fosse algo extremamente comum. Ajuda também o fato do elenco estereotipado não seguir a risca o seu estado natural. As piadas contadas e as situações envolvendo-os são criativas e originais.

A animação da SHAFT também deixa momentos marcantes, principalmente na seqüência animada antes do professor desesperado gritar "Zetsubou da!" (Estou desesperado!). A cena animada de seu rosto olhando para várias direções quatro vezes, envolto num cenário escuro, deixa claro o que acontecerá depois, mas acaba sendo um dos momentos mais esperados por quem assisti. A marcante frase, no fim se torna algo que os espectadores desejam ver todos os episódios.

E isso é apenas um exemplo, existem vários outros. O próprio quadro negro que na maioria das vezes não serve para nada em outro animes, acaba sendo usado pela produtora de uma forma que se não é inovadora, pelo menos diverte. A cada sequência de cenas novas,diferentes frases vão aparecendo no quadro, algumas com ligação ao que está sendo falado pelos personagens, enquanto outras não. Indiretamente parte delas ironiza algo relacionado a cultura otaku, e são uma das maiores fontes de referência do anime. Existem outros meios na qual essa "voz de fundo" é usada além do quadro negro, mas alguns deles aparecem somente na sequência "Zoku" que não será tratada nessa reportagem.

Dito isso, vale dizer que o nível de atenção ao assistir o anime deverá ser redobrado, pois diversos detalhes vão sendo jogados num canto qualquer da tela. Se por um lado isso é interessante e reforça o clima psicodélico do anime, por outro poderá causar transtornos para os mais "lerdinhos". Aliás, no especial de cartas os produtores colocaram até mesmo uma reclamação referente ao quadro negro, que dentro do contexto é respondida de uma maneira bem irônica pela personagem Chiri. Enfim, apesar da alta carga de conhecimento exigido, Sayonara Zetsubou Sensei inova de diversas formas o gênero comédia, com sacadas geniais no que se refere ao uso da animação, personagens originais e cativantes, e piadas de intenso humor ácido, sarcástico e irônico.


Itoshiki-sensei momentos antes de soltar a sua mais clássica frase.

NOTA: 8,5 - Comédia com muito humor ácido e crítica a sociedade japonesa. Só esses dois ingredientes são o suficiente para dizer o quanto Sayonara Zetsubou Sensei é único.



*****
Carlírio Neto

"Opiniões diferenciadas e muito desespero..."

Meru Otonashi: sua timidez na verdade esconde...

Quando da escolha deste título para ser feito uma review no "KS", minha pessoa não podia imaginar o que viria pela frente. E de fato, a surpresa após ter assistido à este anime foi muito alta e, dentro da medida, muito positiva.

O anime Sayonara Zetsubou Sensei o convida para ver um pouco do dia-a-dia de uma pessoa extremamente negativa, que por muitas vezes cogita a própria morte como sendo a solução de seu negativismo exagerado, sendo esta pessoa o professor Nozomu Itsohiki. Entretanto, após conhecer uma jovem extremamente positiva, que vê coisas boas até na pior das ocasiões, Nozomu acaba entrando ainda mais em franco desespero ( pessoal do próprio ). E esta jovem é uma de suas alunas, de nome Kafura Fuura.

Notável ver a balança que é criada por questão das personalidades opostas do Nozomu e da Kafura. Acaba se seguindo uma bola de neve aparentemente sem fim, onde professor e aluna tentam justificar de toda e qualquer forma os seus interessantes pontos de vista, encabeçados respectivamente pelo negativismo e pelo excesso de pensamento positivo.

Contudo, Sayonara Zetsubou Sensei não se resume às duas personalidades citadas. Pelo contrário, pois o restante dos personagens também fazem parte ( e ativamente ) do espetáculo. Indo deste uma aluna anti-social ao extremo ( que se comunica apenas por e-mail ), passando por uma jovem que tem fetiche por rabos de animais, chegando até uma jovem que possui uma síndrome de culpa extremamente elevada, e até por uma personagem totalmente comum ( que tal? ), o elenco do anime acaba se mostrando rico e interessante.

Por si, o anime mostra vários contrastes presentes no Japão moderno, incentivado por diferentes linhas de raciocínio, usando e abusando do humor crítico e social. As personalidades de cada personagem ajudam à dar uma maior ênfase ao que foi descrito anteriormente. Frases marcantes ( como o Nozomu ao esbravejar: "Estou desesperado!" ), comportamentos excêntricos, e situações que fazem total alusão à realidade ( com direito à uma estudante que entrara clandestinamente no Japão ), mostram que a filosofia adotada por Sayonara Zetsubou Sensei foi muito bem aplicada.

Tecnicamente, o anime deixa um pouco à desejar. Seus traços são pouco caprichados, principalmente ao se levar em consideração a época de sua produção ( o ano de 2007! ). O mesmo pode ser aplicado ao seu fundo musical e demais efeitos sonoros, pouco inspirativos e extremamente simplórios.

Entretanto, é curioso notar que os dados técnicos abaixo da média de Sayonara Zetsubou Sensei não atrapalham a experiência positiva que se tem ao assistir este anime. O descrito talvez possa vir à ser melhor interpretado como sendo "as duas faces de uma moeda".

Mas se faz necessária uma importante ressalva. Caso você não tenha ( ou não queira ter ) o mínimo de conhecimento sobre o Japão atual ( não fazendo idéia da realidade que cerca atualmente o país em questão ), se faz aconselhar não assistir à este anime, pois em muitas de suas partes há pontos de profunda reflexão sobre o Japão moderno, através de seu humor ácido e das mentalidades tão diferentes de seus personagens.

Por outro lado, o anime proporciona uma experiência recompensadora, pois em várias ocasiões acaba forçando quem o assiste à pensar sobre diversas questões sociais e culturais. Em várias de suas passagens as risadas são quase inevitáveis, ao mesmo passo em que você pode até sentir algum constrangimento em um evento "x", ou até raiva em um evento"y".

Por tudo aqui descrito, e pelo o que foi mostrado em Sayonara Zetsubou Sensei, o anime merece ser recomendado!

...uma personalidade muito duvidosa.

NOTA: 8,0 - Ah, se a parte técnica do anime fosse melhor trabalhada...


*****

Thiago 3T

"Desespero desferido para todos os lados"

As alunas...

Uma aluna que vê somente o lado positivo das situações, uma com mania de organização, uma que só comunica com mensagens (ofensivas) de celular, uma com dupla personalidade, uma hikikomori, uma stalker, uma garota normal, e outras. E tendo um professor com a visão mais pessimista possível do mundo, sempre tentando o suicídio como única resposta. Este é o mundo apresentado de Sayonara Zetsubou Sensei. Basicamente, conta o dia-a-dia desta sala de aula nada comum, que certamente não são nada normais (exceto por uma aluna).

O anime não perdoa nada da sociedade e cultura japonesa. Matsuris de celebração à algo, festivais e excursões de colégio, cultura do gomenasai (pedido de desculpas), a paranóia de segurança são algumas para citar. E os otakus são lembrados também. Não somente por terem personagens com esse tema: a desenhista de mangá e fã de yaoi Harumi Fujiyoshi, e a ídolo da internet Kotokon; como também uma ida ao Comiket, e as várias sátiras de outros animes (Dragon Ball Z, Love Hina, Negima, Lucky Star, School Rumble). Além das cenas de fanservice gratuito, que servem apenas para “entreter” os telespectadores.

Portanto, para assistir o anime, é necessário ter uma bagagem “cultural otaku-nipônica”, para acompanhar e compreender tais piadas e sátiras. Pode até tentar assistir, mas torça que o fanssuber tenha boas explicações. Poderá aprender um pouco mais sobre os “olhos puxados”. E melhor, rindo bastante.



Consegue identificar quais animes estão sendo satirizados?



Quando se assisti, a primeira reação é quanto as gráficos e desenhos do anime, diferente do normal. E o pessoal da SHAFT faz questão de não ser, priorizando outros elementos simples, sem perder a qualidade. Principalmente quando foca o personagem e seus sentimentos (desesperos). O mesmo vale para os elementos de som. Músicas ambientes de vários estilos (inclusive tango argentino). E você já é apresentado a isso logo com a abertura do anime.

Pode se surpreender com as ações dos personagens, revelando o exagero de suas características. Um exemplo [spoiler] é nas vezes que Nozomu tenta suicídio. Normalmente não dá certo, pois há uma interferência externa, o que piora a situação. Sendo, na maioria das vezes, Kafura que o “salva”. A reação seria de frustração, em não ter obtido êxito. Mas Nozomu solta a seguinte frase: “Eu poderia ter morrido”. Outra é quando ele anota chamada da aluna Kiri Kimori. São tais ações que podem passar despercebidas, podendo fazer o anime tornar incompreensível e tirar o interesse de continuar assistindo. Então, fique de olhos bem abertos, para não perder nada.

É nos personagens que está o destaque. Com suas personalidades peculiares (e bem exageradas), fazem bem a função de exemplificarem o cotidiano com críticas inteligentes, sem cair nos clichês. E para isso, contribuíram muito as atuações dos seiyus.

Hiroshii Kamiya está impecável na voz como Nozomu, principalmente em seus momentos de desespero. Ele, junto com Ai Nonaka, conseguem tirar boas risadas. Outras são Marina Inoue, Yu Kobayashi (Lala Gonzalez – School Rumble; Setsuna Sakarazaki – Negima), Ryoko Shintani e Asami Sanada, que fazem Chiri Kitsu, Kaere Kimura, Matoi Tsunetsuki, respectivamente. E também a presença de Yuko Goto, eterna Mikuru Asahina.

E por esses personagens terem se destacando a mais, senti que foi difícil outros personagens terem seu espaço. Principalmente Ai Kaga e Mayo Mitama, que foram apresentadas nos últimos episódios. Dá a sensação de que precisavam abordar os temas que elas representam de qualquer jeito. Foram “forçadas” as suas aparições. Talvez na seqüência (Zoku Sayonara Zetsubou Sensei) seja diferente.

Sayonara Zetsubou Sensei provavelmente não agradará a maioria, por ser anime diferente, até para o estilo comédia/sátira conhecidos. Além de mostrar de um jeito direto (até demais) sobre a cultura japonesa.

E se você ainda está com dúvidas do sucesso do título, a versão em mangá ganhou o prêmio “Kodansha Manga Award”, na categoria Shonen, em 2007. Dentre outros títulos que também ganharam, estão Love Hina, Fruits Basket, Vagabond e Nodame Catabile.


Não olhe muito, pois você será processado.


NOTAS:

Traço: 4.0 - Pode não ter os efeitos que estamos acostumados, mas estão de acordo com a proposta do anime;
Estória: 4.7 - Estória flui bem, com muitas críticas inteligentes e sagazes;
Música e efeitos sonoros: 3.8 - De acordo com a história. Escutem a OP e ED;
Personagens: 4.8 - Todos tem sua chance de aparecer, e divertir o público;
Conjunto: 4.7 - Os elementos estão bem encaixados, o que é difícil para a temática proposta.

NOTA FINAL: 4.4/5.0 - Divirta-se com este anime único, e reflita de um jeito diferente sobre o Japão.

*****

Personagens

Nozomu Itsohiki.


Kafura Fuura.


Chiri Kitsu.


Matoi Tsunetsuki.


Kiri Kimori.


Kaere Kimura.


Harumi Fujiyoshi.


Nami Hitou.


Meru Otonashi.


Abiru Kobushi.


Tarō Maria Sekiutsu.


Ai Kaga.


Mayo Mitama.


Chie Arai.


Sayonara Zetsubou Sensei OP1 - Hito toshite jiku ga bureteiru




Sayonara Zetsubou Sensei OP2 - Gouin ni Mai Yeah~



Sayonara Zetsubou Sensei ED - Zessei Bijin

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