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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Review #3: Elfen Lied

Carlírio Neto

"Não é apenas sangue e morte, mas também lições e reflexão..."

Lucy, no seu "verdadeiro eu".

É quase certeza de que você visitante deva saber da existência de animes cujo primeiro episódio não signifique exatamente o real conteúdo de uma obra, ou que o mesmo apenas dê uma introdução disfarçada de uma série. O título em questão, Elfen Lied, se encaixa apropriadamente neste contexto.

A humanidade parece estar frente à frente com a sua destruição. Trata-se de um tipo de forma evoluída da raça humana, os Diclonius. Estes seres possuem uma espécie de arma natural ( em forma de braços ) chamada Vector, que possui um certo raio de ação sendo altamente cortante.

Com base no descrito acima, e à partir da apresentação de uma Diclonius presa em cativeiro, o que se segue no primeiro episódio é uma seqüência de mortes, apresentando corpos com membros decapitados e um festival de sangue. Mas o mesmo episódio vai além disso, ao apresentar um belo início para a trama de Elfen Lied...

Os Diclonius estão presos em cativeiro para ( teoricamente ) assegurar a segurança da humanidade, além de servirem de fonte para estudos e experiências por parte do centro de pesquisas de Diclonius, encabeçado pelo prepotente e arrogante Kazukawa, tendo como segundo chefe no escalão o sempre preocupado Kurama, que por questão de certos acontecimentos começa à pregar um melhor estudo sobre os Diclonius...

O anime não se limita às mortes e à apresentação de derramamento de sangue. Elfen Lied possui um acentuado aspecto de drama, principalmente no que vem à se referir à Diclonius fugitiva de nome Lucy, que possui uma estranha ligação com o passado do jovem Kouta, que costumava passar suas férias em uma cidade interiorana, onde sempre brincava com a sua prima Yuka. A morte do seu pai e de sua irmã parece atormentar o Kouta até os dias de hoje, que agora vive na mesma cidade de sua prima Yuka...

Existe ainda uma outra Diclonius, que é mais propícia à receber ordens e mais amigável, chamada Nana ( sete em japonês ). Ela vê o Kurama como sendo o seu pai, sempre o tratando bem e procurando fazer as coisas que ele pede para receber uma palavra de carinho ou um elogio. E por conta disso, ela se faz presente em uma das melhores cenas do anime...

O anime coloca quem o assiste frente à frente com vários aspectos do comportamento humano e da sua sociedade, como a desconfiança e a busca pelo poder, onde presume-se que controlar o poder de um Diclonius seja uma excelente fonte de poderio militar. Ao mesmo passo, questões como o amor e a amizade também são mostradas, este caso cabendo ao Kouta, à Yuka e a Lucy, que possui uma tendência de mudança para uma personalidade dócil e infantil, chamada de Nyuu.

A pequena Mayu. Sua estória não é das mais prazerosas...

Eventos como o da ação do metido e desprezível agente especial Bandou ( que adora matar as pessoas, não possuindo um pingo de índole sequer ), e da pequena e inocente Mayu ( que possui sérios problemas familiares ) podem colocá-lo à par com dois dos vários dilemas sobre o comportamento humano e de sua sociedade. E o aparecimento de uma Diclonius suprema de nome Mariko torna as coisas ainda mais interessantes em Elfen Lied...

No ponto de vista técnico, Elfen Lied pode não apresentar-se como uma obra de arte, mas nota-se um bom cuidado em seus traços. A animação flui bem e de forma consistente. Há um certo exagero na quantidade de sangue que sai dos corpos, mas neste quesito não é nada perto do exagero que pode ser visto em Bokusatsu Tenshi Dokuro-chan.

A trilha sonora de Elfen Lied é arrebatadora, e minha pessoa arrepia-se só de lembrar do tema de abertura do anime, a música Lillium cantada por Kumiko Noma. Tal música é cantada em latim, apresentando trechos bíblicos de impacto. O tema de encerramento é bem mais alegre e jovem, sendo ele a música Be Your Girl.

Ao todo, Elfen Lied pode fazê-lo ter diferentes sentimentos, diferentes reações, e diferentes formas de reflexão sobre o título. Pode não aparentar, mas o anime apresenta importantes idéias à serem transmitidas. Elfen Lied não se resume à mortes e sangue, mas também fala de comportamento, sentimento e ideais. Tudo regado à ação quase constante e um pouco de drama em anexo.

Lucy, na personalidade inocente: "Nyuu!".

NOTA: 8,0 - O anime já é um clássico, e digno de respeito.


DeCyber

"Admita: VOCÊ não agiria TÃO diferente assim nas mesmas circunstâncias...
(e mesmo assim, muitos não gostaram da performance do seu reflexo )"

Antes de começar o review, vamos falar um pouco sobre "impactos pós-primeiro episódio". E não há melhor exemplo para isso, a meu ver, do que o "episódio 00" de Suzumiya Haruhi no Yuuutsu.
O episódio em si é literalmente uma "filmagem tokusatsu" amadora, feita de todo jeito e em 4:3 (mesmo o anime estando em widescreen em todos os meios exibíveis). Em miúdos, uma pessoa pode até mesmo achar que se trata de um anime baseado em estudantes fazendo live-actions "underground". Caso seja alguém que corra de "tosquice a-là tokusatsu", vai deixar de ver um anime que causou um certo "furor" e... Bem, na falta de tempo e espaço pra somar essa sentimentalidade toda, criou o "Haruhismo" e ainda hoje é falado nesse mundinho nosso...

E daí, você se pergunta: "Que raios tem a ver o episódio 00 de Haruhi com a review de Elfen Lied?"
Bem, assim como o anime das desventuras da Avatar de Deus entediada com esse nosso mundinho besta aparenta ter mais a ver com filmagens amadoras, o primeiro episódio de Elfen Lied também não faz justiça ao restante do anime. Embora muitos o considerem repugnante e parem de ver o anime daí, o restante da obra não pode ser desconsiderado da mesma forma...

No universo de Elfen Lied, existe uma forma "evoluída" do Homo Sapiens Sapiens (o nome científico completo do homem moderno) denominada "Diclonius". Este novo tipo de Homo Sapiens, facilmente notado pelo seu cabelo de tons mais próximos do vermelho e pelos chifres semelhantes a orelhas de gato, é apto a usar uma manifestação psíquica em forma de mãos conhecidas como vectors (vetores), capazes de cortar, manipular, atirar e envergar objetos, e até mesmo como um escudo. Enfim, o tipo de cidadão que Magneto adoraria ter como companheiro.

Pra nossa sorte - ou falta dela - os pouquíssimos representantes dessa nova raça estão secretamente confinados num laboratório em uma ilha, sendo submetidos a todo tipo de testes. Mas vez ou outra, os hóspedes conseguem agradecer pela hospedagem. E o primeiro episódio mostra o "agradecimento" de Lucy, a Diclonius ruiva protagonista da história, que redecora o local com uma pintura de vermelho-sangue e sai de lá "numa boa"... Até ser atingida por um tiro que não a mata, mas a derruba no oceano.

Paralelo à isso, temos o jovem Kouta, que volta para a cidade onde mora a prima Yuka depois de muito tempo. Nesta mesma cidade, o pai e a irmãzinha do rapaz são mortos, mas ele mesmo não se lembra totalmente das circunstâncias do fato. Mas, enquanto os dois passeiam pela cidade, eles encontram uma garota despida no meio da praia. Ninguém mais que Lucy, sofrendo de amnésia e incapaz de falar corretamente. Ela foi chamada de Nyuu, por ser a única coisa que ela era capaz de falar.

Daí para frente, teremos uma série de desventuras envolvendo a própria Nyuu (que vez ou outra volta a ser Lucy) enquanto o alto escalão do laboratório envia meios para reaver a mesma. E, direta ou indiretamente, as medidas tomadas para tanto influenciam muitos personagens...

A trama de Lucy não é a única no anime, e você presenciará as tramas (geralmente via flashback) de personagens mais expressivos. Por exemplo, a personagem Mayu, que tinha problemas familiares sérios com o padastro e que foge de casa, vivendo como uma desabrigada à base de farelos de pão, que ela pedia para alimentar um cãozinho que ela achou. Pouco à pouco, ela vê a vida cair em ruínas, pra então ver uma luz no fim do túnel como presente de aniversário. É talvez um dos melhores momentos do anime.

Outro exemplo marcante é o do diretor Kurama, responsável pela "eutanásia" de Diclonius recém-nascidos. Parecia ser um ato normal para ele...

Ah, ele também demonstra possuir uma afeição a uma Diclonius mais obediente (embora também sofrendo todo tipo de experimento) chamada de Nana (que não só lhe serve como nome próprio como também significa "sete" em japonês), que sempre o chama de papa. Apesar da vida no laboratório, ela demonstra ser bem feliz, e não mede esforços para deixar o "papai" contente.

Mas, quando foi citado "(...)personagens mais expressivos(...)", não o foi à toa. Alguns personagens do anime, dos quais se imaginava que teriam uma participação maior, acabaram... inaptos a se desenvolverem o suficiente pelo anime, por assim dizer...

Apesar disso, ainda é dessas pequenas tramas que se mostra a qualidade do anime, principalmente a respeito do recorrente tema de "humanidade". Por muitas vezes, somos postos em xeque em diversas ocasiões da vida. As circunstâncias deste xeque, e mesmo aspectos fora de nosso controle, em muito influenciam o modo de pensar em agir em seguida. Você verá muitos "xeques" neste anime, e ESTE é o real motivo pelo qual você deve ignorar as picuinhas dos que falam mal do anime logo após terem visto o primeiro episódio e pararam por aí. É tanto que a "matança desenfreada" do primeiro episódio não se repete nos demais. O anime não tem tempo pra desviceramentos insensatos!

Ah, o anime mostrou que também não tinha tempo pra "frescuricite"! Por muitas vezes, você verá as personagens femininas nuas durante o banho e as cenas dos tormentos dos personagens (em flashbacks) na íntegra - incluindo sangue, ossos e vísceras pra todos os lados, agonia e mesmo de abuso sexual. O eufemismo foi às favas em Elfen Lied, o que obviamente deixa bem claro que não é o tipo de anime pra ser visto pelo seu sobrinho otaku de 10 anos.

Tanta filosofia a se discutir no anime (que, não bastasse a plenitude de pontos a se pensar no decorrer de toda a história, ainda deixa um final inconclusivo) e quase que as músicas ficavam de fora! A trilha em si possui músicas muito boas, mas se existe um destaque, é a música de abertura, cantada em forma de coro, em Latim e com trechos bíblicos, enquanto os personagens se mesclam a obras de arte. A música de encerramento é de total contraste, sendo próxima dos j-pop que tanto gostamos.

Enfim e afins, Elfen Lied apresenta muito mais do que sangue pelas paredes. Portanto, ignore as tristes figuras que correram logo após de ver o primeiro episódio e decidiram não seguir adiante. A trama que se segue do segundo episódio em diante lhe dará uma impressão correta.


NOTAS:

Traço: 4.0 - Traços simples, mas bem definidos. Destaque também pela cor de cabelo diferenciada para os Diclonius e tons normais para as pessoas normais;
Estória: 4.5 - O conjunto dos "dramas pessoais" engrandecem a obra como um todo;
Música e efeitos sonoros: 4.0 - As músicas são boas, mas o tema de abertura é simplesmente a melhor de todas;
Personagens: 4.0 - O anime deu um "tempinho" para desenvolver muito dos personagens mais primordiais da trama, embora outros tenham sido... eh... demitidos para sempre antes de mostrarem algo à mais;
Conjunto: 4.5 - Uma boa trama e doses de mistérios, com tudo se tornando mais claro enquanto se passa pela "psique" dos personagens e mostrando que as coisas não são por "paradigmas de museu de bem-e-mal"...

NOTA FINAL: 4.2 / 5.0 - Um anime que quebra "paradigmas iniciais", de modo semelhante a System Shock, que quebrou o "paradigma" de jogos de tiro da década de 90.
Vai ser como ver Haruhi pela primeira vez, só que com sangue...
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1 comentários

  1. Elfen Lied é realmente um anime maravilhoso, e a primeira frase foi bem colocada, não é apenas sangue, violencia, e nudez(no primeiro episodio ela fica pelada até a metade...), e aconselho a quem ver o primeiro, ver o segundo também...

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